
Se tem uma coisa que toda criança faz (e muito!) é sentir. Medo, raiva, frustração… Tudo isso faz parte da vida e, para os pequenos, essas emoções podem ser intensas, difíceis de entender e mais ainda de expressar
O problema é que, muitas vezes, nós, adultos, esperamos que elas ajam como pequenos sábios, dominando sentimentos que nem sempre conseguimos controlar.
Mas calma! A boa notícia é que podemos ajudar nossos filhos a reconhecer e expressar essas emoções de um jeito saudável. E o primeiro passo? Entender que sentir não é errado, o que faz a diferença é como lidamos com isso.
1. Quando o medo aparece
O escuro, o barulho forte, um novo desafio na escola… O medo pode surgir de várias formas e, para a criança, é algo real, mesmo que pareça bobo para os adultos. Nessas horas, o que não funciona é dizer:
🔴 “Não precisa ter medo!”
🔴 “Isso é besteira!”
🔴 “Que bobagem, pare de chorar!”
Para ela, o medo é grande, e diminuir o sentimento só faz com que ela se sinta incompreendida. Em vez disso, experimente:
✅ Validar: “Eu sei que isso pode parecer assustador…”
✅ Explicar: “O escuro é só a ausência de luz, mas nada muda no seu quarto.”
✅ Criar estratégias: Usar uma lanterna como “superpoder contra o medo” ou deixar um bichinho de pelúcia como “guardião noturno” pode dar segurança.
O medo não deve ser negado, mas sim compreendido. Assim, seu filho aprende que ele pode enfrentá-lo.
2. Raiva: quando a tampa estoura
Sabe quando a criança grita, bate o pé ou até joga os brinquedos no chão? Muitas vezes, isso não é birra, é raiva sem saber como expressar de outro jeito. O instinto dos pais pode ser brigar ou mandar parar, mas isso só aumenta o caos.
O segredo aqui é ensinar que a raiva é normal, mas não pode machucar ninguém. Algumas estratégias ajudam:
✅ Nomear o sentimento: “Você está bravo porque queria continuar brincando, né?”
✅ Ensinar a descarregar de um jeito saudável: “Vamos respirar fundo juntos?”, “Vamos amassar esse papel e jogar longe?”
✅ Mostrar que a raiva passa: Depois que a criança se acalmar, converse sobre como ela pode expressar o que sente da próxima vez.
Criança aprende pelo exemplo, então, se os pais gritam ou perdem o controle com frequência, o pequeno vai entender que esse é o jeito certo de reagir.
3. Frustração: quando as coisas não saem como eles querem
A frustração é um dos sentimentos mais difíceis de lidar, tanto para crianças quanto para adultos. Quem nunca ficou irritado por algo que não deu certo? Mas enquanto nós já temos mais maturidade (ou pelo menos tentamos), as crianças ainda estão aprendendo que não dá para ganhar todas.
Se seu filho chora porque perdeu no jogo, porque o sorvete caiu no chão ou porque você disse “não”, evite frases como:
🔴 “Pare de chorar, isso não é nada!”
🔴 “A vida é assim, acostume-se!”
🔴 “Não vou te dar outro só porque você fez birra!”
Isso só reforça a frustração e a sensação de impotência. Em vez disso, tente:
✅ Ensinar que errar faz parte: “Todo mundo perde às vezes. Quer tentar de novo?”
✅ Mostrar que sentimentos não são perigosos: “Eu sei que você está chateado. Vamos respirar juntos e pensar em outra solução?”
✅ Valorizar o esforço, não só o resultado: “O importante é que você tentou. Você aprendeu algo novo hoje?”
Frustração dói, mas é essencial para aprender a lidar com desafios na vida. Se a criança cresce sem nunca ouvir um “não”, pode ter dificuldades no futuro ao enfrentar problemas maiores.
Emoções não são inimigas
Medo, raiva e frustração fazem parte do pacote da vida. O papel dos pais não é impedir que os filhos sintam, mas ensiná-los a reconhecer e lidar com essas emoções sem que elas dominem a situação.
A cada crise, temos uma oportunidade de ensinar algo valioso. Em vez de ver o choro ou a birra como “problema”, encare como um momento de aprendizado. Com paciência, acolhimento e bons exemplos, ajudamos nossos filhos a crescerem mais equilibrados, emocionalmente fortes e preparados para enfrentar o mundo.
E aí, bora começar a praticar?