
Existem muitas maneiras de observar o comportamento dos filhos. Gostaria de pensar com vocês sobre dois aspectos. Você pode apenas acompanhar o que eles estão fazendo sem nenhuma reflexão, compreendendo que tudo faz parte do desenvolvimento natural. Ou pode compartilhar da brincadeira, do fazer junto, das conversas com a criança e com o adolescente.
A relação entre os pais é um exemplo de como essa família troca experiências e aprende. Se há brigas constantes entre eles, a criança pode estar usando o quarto como seu esconderijo, uma fuga para não sobrar para ela questões que não são propriamente dela. Isso faz com que o desenvolvimento familiar seja inibitório para o diálogo, para o entendimento do que cada um acha que é bom ou ruim, certo ou errado. Este filho(a) pode crescer com receio de se expressar ou querer impor seus argumentos. Isto é diferente do que acontece em um lar reflexivo, em que os pais conversam, avaliam, respeitam o que o outro diz, independente de concordarem. Essa postura pode proporcionar para a criança e/ou adolescente um espaço para ser.
Quando os filhos veem seus pais chorando, sorrindo, sofrendo, felizes, ou seja, experienciando suas sensações, compreendem que essas emoções são permitidas, crescem conseguindo respeitar e vivenciar estes momentos, mesmo quando doloridos. A função familiar é estar ao lado um do outro, ouvindo, acolhendo, pensando junto, mesmo que não se saiba o que fazer.
O “Jogo da Memória dos Sentimentos” é um instrumento que muito pode auxiliar as pessoas, tanto individualmente quanto nas relações familiares. É um jogo que ajuda a desvelar o que cada um sente e como sente. Também possibilita a compreensão de como a criança, o adolescente ou a própria família se relaciona e lida com suas emoções.
Isso faz todo sentido quando há a vontade de evoluir a si e ao outro, um propósito de vida que torna o espaço compartilhado um lugar seguro e acolhedor.
SILVA, Tarita Romano. O labirinto das emoções: memórias que tocam.Editora Linear B, 2024. São Paulo/SP.